"De tanta inspiração e tanta vidaQue os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto...
O que resta?uma sombra esvaecida
Um triste que sem mãe agonizava...
Resta um poema morto!!!''
(Álvares de Azevedo)
.
Um dia eu quis morrer
Como uma ancora
que afunda no mar.
Quis morrer...
Entregar-me ao vento
e esquecer.
Voar tão alto,
Atravessar galáxias
e afundar
na via láctea.
Quis esquecer...
Jogar-me em águas profundas
afogar o medo,
libertar o inchaço
da morte.
Quis morrer...
E não mais entender
dos raios
que pairam no céu.
Dos espinhos
que existem por trás
de um simples abraço.
Quis morrer...
E atravessar
o campo magnético
que o corpo vivo
não pode.
Quis morrer...
Sem dar explicação,
fechar a porta de meus olhos
Sangrar meu coração.
Um dia eu quis morrer
Sem alardes
para nascer a compreensão.
.
(sel)
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